"Se chega em Copacabana em um ferry boat primitivo."

Copacabana é a principal cidade do entorno do Lago Titicaca na Bolívia, de onde saem os barcos que fazem a visita à Isla del Sol, uma ilha sagrada dos Incas.Às margens do Lago Titicaca, ela é uma cidade bastante pequena, tendo sua história, desde a época dos incas, ligada à religião e aos rituais em homenagem ao sol e à lua O nome deriva da expressão kota kahuana do dialeto Aymara, que significa "vista do lago".O local sagrado para muitos povos do altiplano, que ostenta uma das paisagens mais bonitas do continente.  Por distanciar-se apenas 9 Krn da fronteira com o Peru, Copacabana é uma espécie de escala obrigatória para o viajante que estiver saindo da Bolívia em direção à cidade peruana de Puno, no outro lado do lago - ou vice-versa. Mais do que isso, é uma ótima parada para descansar, apreciar a natureza, curtir um pôr-dosol no Títicaca e ainda por cima adaptar-se à altitude, 3.810 m sobre o nível do mar. De quebra, para alegria dos viajantes, é uma das cidades mais baratas da Bolívia. Em Copacabana está a igreja de Nossa Senhora de Copacabana, onde se encontra uma das imagens mais cultuadas da Virgem Maria.

No século XIX uma réplica da imagem da Virgem Maria foi feita e levada ao Rio de Janeiro no Brasil, onde foi criada uma pequena igreja para a Nossa Senhora de Copacapana, construída por comerciantes espanhóis. A igreja foi crescendo, e acabou dando o nome ao bairro de Copacabana no Rio de Janeiro.

 

Copacabana foi um local de sacrifícios humanos em honra da deusa-mãe Pachamama, do deus sol e da deusa lua considerados marido e mulher pelos incas. Antes da chegada dos padres espanhóis, na metade do século 16, com o cristianismo na bagagem, os incas dividiram os habitantes da região em dois grupos. Os que aceitaram a dominação, passando a acreditar na religião inca, foram designados para funções mais importantes e conseguiram cargos de maior poder. Os rebeldes, por sua vez, foram transformados em escravos . Assim os espanhóis tentaram converter as populações indígenas ao catolicismo. No momento em que os europeus conseguiram impôr sua cultura, por volta de 1570, os indígenas,  já tinham adotado parcialmente a nova religião. Em pouco tempo, seguindo a tradição cristã, La Santisima Virgen de Candelaria já era considerada a santa padroeira da cidade, estabelecendo inclusive uma congregação. A partir de 1582, uma série de acontecimentos foi aumentando a importância da Virgem para Copacabana, em especial devido a Francisco  Yupanqui, um descendente inca que não descansou até conseguir esculpir uma imagem da santa e colocá-la sobre um altar na cidade. Em 1605, uma catedral começou a ser construída para abrigar a estátua, e o altar foi concluído em 1614. Apenas em 1805 a catedral estaria pronta. Devido a inúmeros relatos de milagres atribuídos à imagem, a Santísima Virgen de Ia Candelaria acabou sendo oficializada como santa padroeira da Bolívia pelo Vaticano em 1925.


O lugar é frio, com invernos secos. Durante o verão ocorrem tormentas na parte central do lago, devido ao calor e à chuva, muitas vezes já avistadas ao longe. Essa umidade pode chegar à cidade no verão, aumentando o numero de chuvas. Quando o sol brilha forte, é bem agradável, permitindo roupas leves. Na sombra e durante à noite,é bom estar preparado, pois a temperatura cai bastante e o vento vindo ,do lago diminui ainda mais a sensação .


"Uma velejada em um barco tradicional é a boa."

Quando você chegar em Copacabana você verá a Plaza 2 de Febrero, que é a principal, em frente à Catedral. Ali se encontra o Centro de Informações Turísticas, alguns hotéis e restaurantes. A rua que passa em frente à Catedral e à praça é a Av. 6 de Agosto, que pode ser considerada a principal de Copacabana, concentrando a maior parte do comércio local, restaurantes, bancos e agências de viagem. Seguindo por esta rua, em direção ao lago, encontramos a Praça Sucre, bastante movimentada por ser o local de embarque e desembarque dos ônibus que seguem ou chegam de La Paz ou Puno.

Dali, seguindo ainda mais uma quadra longa pela 6 de Agosto, chega-se à margem do Títicaca. As demais ruas, fora deste caminho central, muitas vezes têm traçados confusos, beirando as encostas dos morros vizinhos de Copacabana. Mas é uma cidade bem pequena e, mesmo em ruas confusas e pouco sinalizadas, não há risco de se perder.

Em Copacabana é fácil locomover-se a pé à não ser que você tenha intenção de conhecer algum dos pequenos povoados vizinhos. 0 único empecilho talvez seja o cansaço maior que a altitude, de quase 4 mil metros, pode provocar nos que ainda não estão aclimatados. Isto é mais evidente em caminhadas como a subida ao Cerro Calvário, onde a altura e a inclinação da montanha dificultam .

Se chega em Copacabana  vindo de La Paz ou Puno, no Peru, na margem oposta do Titicaca. Os veículos para essas duas localidades partem diariamente em diversos horários. Copacabana não tem um terminal de ônibus, a passagem deve ser comprada nos escritórios das poucas companhias que fazem o serviço ou diretamente com os próprios motoristas e cobradores que realizam o percurso. Eles são facilmente encontrados, pois estão sempre ao redor dos ônibus estacionados durante o dia na Praça Sucre, berrando aos quatro ventos a cidade de destino.


Quem procurar as opções mais econômicas, muitas delas na Calle Murillo, que segue a partir da Plaza 2 de Febrero, pelo lado esquerdo da Catedral, deve prestar atenção aos possíveis problemas no fornecimento de água, que podem acontecer em hotéis simples e sem motor próprio para impulsioná-la e ativar o funcionamento dos banheiros. Quanto às diárias, é prática comum o aumento dos valores durante os feriados, época em que a cidade recebe um grande número de visitantes. Portanto, fique atento e se possível faça sua reserva com antecedência.

"Este é o Lago Titicaca."

A principal riqueza gastronômica de Copacabana é, sem dúvida, a truta, o tradicional peixe do Lago Tilicaca. Preparado de diversas maneiras, mas sempre saboroso, pode ser encontrado a preços razoáveis, normalmente em torno de Bs.10 em quase todos os restaurantes da cidade. Para o bolso do mochileiro, há sempre a alternativa do comedor popular, nem que seja somente para o café da manhã, pois conta com cafés, sucos, frutas e pães a partir de Bs.5. Para quem pretende preparar a própria comida, além do comedor, a C. Pando, bem no centro da cidade, tem uma série de ambulantes vendendo os mais variados gêneros alimentícios. Em Copacabana não há supermercados, apenas pequenos mercadinhos.

A paisagem de Copacabana, com destaque para o belíssimo Titicaca, que a 3.81 km de altitude é o lago navegável mais alto do mundo, é a grande atração da região. Há séculos o lago exerce um fascínio nos povos que habitam a região, num cenário de águas azuis e montanhas ao fundo. 0 visual e o ritmo tranqüilo da cidade fazem de Copacabana um lugar perfeito para descansar, exceto em festividades religiosas.

Catedral de La Virgen de La Candelaría   um dos  grandes templos religiosos da Bolívia, é o cartão postal que marca a imagem de Copacabana. A catedral é visita obrigatória, com suas naves internas repletas de arte barroca, o jardim e suas cruzes no pátio interno, tudo pintado de branco. A construção do conjunto que forma a catedral foi feita gradualmente. A intenção era substituir a primeira igreja de Copacabana, construída nos primeiros anos de colonização espanhola, por volta de 1550, e que já não suportava o aumento do fluxo de peregrinos.
 

"Totoras de palha."

A catedral é o ponto de confluência de peregrinos em busca das graças a receber por promessas feitas à Virgem. Algumas datas do ano são especiais e atraem um enorme número de visitantes a , Copacabana. São elas: 02 de Fevereiro, dia da Virgem da Candelária; Sexta-Feira Santa, quando centenas de peregrinos vindos de La Paz, a pé ou de bicicleta, inundam as ruas da cidade; e 06 de Agosto, dia da independência da Bolívia, que, apesar de não ser uma festividade nWigiosa, atrai os fiéis à catedral. Além dos cristãos ao longo do ano, ainda mais presente é a miséria humana exposta no pátio da entrada da igreja, mendicância pouco católica.

Cerro Calvário -   sobe -se por uma trilha que inicia atrás da capela Senhor del Kolque Pata, no final da  1 de Mayo. Do topo dessa montanha admirar uma das paisagens mais marcantes da cidade e do Lago Titicaca. Ao longo do percurso, cruzes marcando as 14 estações da Via Crucis. Na Sexta-Feira Santa, acontece procissão iluminada à luz de velas, sobe o Cerro Calvário e lembra estações pelas quais Jesus Cristo passou esda sua crucificação.  A caminhada dura cerca de 40 minutos, com direito a algumas paradas durante o percurso para tomar um gole,d'água - leve uma garrafa - e apreciar  'visual. 0 trajeto de pedras, degraus e escadarias é íngreme e, aliado à altitude, acaba se tornando cansativo. 0 desgaste, porém, é plenamente recompensado quando no final tem-se uma das mais belas paisagens da Bolívia diante dos olhos, com os morros ao redor e a visão panorâmica da cidade abaixo. Relaxe, escolha um bom lugar para acomodar o corpo e curta o seu momento viajante.
 

"Vou nessa."

Tribunal del Inca ou Intikala  - amontoado de pedras de provável uso cerimonial para ritos religiosos dedicados ao sol. A chegada é a partir do cemitério que está localizado na estrada que vem de La Paz, na entrada da cidade, ao lado de uma pequena igreja.

Horca del Inca -  Fica no cerro Calvário del Ninho , um pequeno monte localizado na parte leste da cidade, também conhecido como Seroka e pelo seu nome original, Kesanani. 0 acesso ao cerro encontra se ao final da Calle Murillo, a rua que segue ao lado esquerdo da catedral. A Horca dei Inca é uma instigante formação rochosa de dois pilares moldados pela erosão e ligados por dois blocos horizontais. Era provavelmente u m observatório astronômico inca, e devido à sua posição, possivelmente servia para indicar o solstício de inverno.

Challa - esta é uma cerimônia religiosa de bênção dos automóveis, realizada em frente à Catedral. As challas não têm época específica, ocorrendo durante todo o ano, sempre aos sábados, havendo uma confluência especial no sábado da Semana Santa. A cerimônia é uma mistura de bendição católica com ritos da antiga tradição dos incas, típico do sincretismo religioso que marca a cultura boliviana. Após a benzedura, ocorrem ritos de agradecimento a Pachamama, a mãe-terra dos aimaras, quando confetes e cerveja são usados para garantir sucesso ao dono com o novo carro. A cerimônia é uma mescla de religião, festa e Carnaval, podendo ser bem divertida.

"Visual da praia.

Ilha do Sol - A ilha do Sol exerce grande fascínio nos viajantes e também nos bolivianos. Distante de Copacabana entre uma e duas horas, de barco, a ilha é cercada pelas águas azuladas do Titicaca e emoldurada pelas montanhas dos Andes. 0 pequeno pedaço de terra conta com um relevo de subidas e descidas formado por trilhas de pedras, onde os nativos e os turistas circulam e gramas verdejantes servem de pasto para algumas lhamas. Para os habitantes do local, existe uma outra grande atração: teria sido nesta ilhota que nasceram Manco Capac e Mama Ocilo, os quais viriam a ser os primeiros inces. Diz a lenda que o sol, vendo que os homens viviam como animais, sentira piedade deles, enviando-lhes, assim, um de seus filhos e uma filha para que lhes dessem o conhecimento das leis e que pudessem, com isso, viver como homens racionais, prosperando e gozando os frutos da terra. Como podemos perceber, é realmente uma lenda. Ironias à parte, foi o suficiente para tomar o local sagrado para os povos que habitavam o altiplano. Para nós, viajantes, também é sagrado. Poucas vezes, afinal, história e paisagem se mesclaram com tamanha intensidade e beleza, tomando o cenário imperdível a quem quer conhecer os encantos da região.


Há igualmente uma opção interessante - e longa - para quem está em Copacabana. Caminhar até o povoado de yampupata, que fica ao norte de Copacabana, num trajeto que dura cerca de 4 horas, saindo da cidade pela trilha que acompanha a margem do lago, cruzando por belas paisagens e pequenos povoados. Em Yampupata, é possível contratar um barco com algum dos Moradores do local até a ponta sul da ilha, por Bs.60. Embora neste ponto a distância seja menor, pelo fato de não haver saídas regulares, o custo será maior do que o do bilhete desde Copacabana.
 

Dicas de GUSTAVO VIVACQUA

1.Os hotéis são baratos, por isso vale a pena ficar em algum de frente para o lago.

2.A Ilha do Sol pode ser visitada rapidamente em apenas um dia, por meio dos tours que saem diariamente de Copacabana e que também vão até a Ilha da Lua, um trajeto de 1 ou 2 horas

3.O Cerro Calvario é umas das principais visitas, porém devido a altitude do lugar e pouco oxigênio pode ser tornar um calvário, daí seu nome. Leve agua que a subida é perrengue.

4.Não deixe de de comer a truta do Titicaca. Ele pode ser preparado de varias maneiras e voce não pode deixar de experimentar essa iguaria.

5.Beba sempre água engarrafada e cuidado com o que come. Verifique sempre a limpeza do local onde come para não passar mal por ali.

6.Não perca a oportunidade de dar uma velejada no lago mais alto do planeta.

7.Se der tempo vá até o outro lado do Titicaca em Puno no Peru. É um lugar incrível.

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