Partimos de Jerash após dar uma breve "pescoçada" na ruína greco-romana local e fomos para a cidade de Madaba.

Acampamos nos fundos de uma igreja cristã grego ortodoxa.

Esta é a famosa Saint George Church, ou seja, a igreja de São Jorge.

Assistimos o início da missa matinal e, curiosamente, o padre ficou de costas para os presentes o tempo todo que estivemos ali.

Depois passamos nas proximidades do Monte Nebo onde Moisés avistou pela primeira vez a "terra prometida".

E de cima de um mirante vimos pela primeira vez o famoso Mar Morto.

Ele estava lá embaixo há 400 metros abaixo do nível do mar.

34 quilômetros a frente está Belém, a 36 quilômetros Jerusalém e a 24 quilômetros Jericó. Tudo bíblico demais!

Ali, dava para imaginar perfeitamente um senhor de barba branca, sentado na colina com uma tábua na mão, escrevendo os dez mandamentos:

- Diga lá, óh Senhor! Pode começar a ditar os mandamentos!

- Anota aí Moisés: "Amar a Deus sobre todas as coisas, não matar, não furtar, não cobiçar as coisas alheias..."

Nossa missão agora era boiar nesse mar insubmergível.

Depois de sentir uma forte pressão nos ouvidos durante a descida da colina encontramos uma praia deserta.

Dez vezes mais salgado que o mar, o sal forma degraus sólidos na beira da água com a areia.

Mergulhar até o fundo é impossível, então, boiar é a única opção.

Foi engraçado ver o Tapa com boa parte do seu corpinho acima do nível da água. Assim como em um barco, seu rabo serve de leme para fazer as curvas.

No Mar Morto ele teve que forçar o rabo para o fundo para conseguir fazer as curvas durante sua nadada.

Não dá para ficar muito tempo na água porque a pele do corpo começa a arder.

É um mergulho rápido e relativamente desconfortável.

Do lado de fora, metade das moscas do planeta estavam nos esperando.

Não importa se você está molhado. Centenas delas pousam em você sem nenhuma cerimônia... É desesperador.

Graças ao ataque impiedoso das moscas, tomamos um banho ultra rápido na ducha do Farofamóvel e sem secar o Tapa partimos rapidamente com as janelas abertas para que todas elas saíssem do carro.

Grande erro...

O sacana do Tapa tirou a capa protetora do colchão e molhou toda nossa cama.

Fomos descobrir esta ingrata surpresa na hora do jantar, no meio do deserto, já de noite.

O jeito foi secar o colchão com uma fogueira tomando cuidado para não incendiá-lo. E deu certo!

Com a lua cheia dava para ver com clareza toda a beleza do deserto.

Jogamos âncora em um acampamento beduíno muito bem organizado.

Acampavam por lá também, nesta noite, uns quinze motor homes franceses.

No dia seguinte seguimos para Petra, a atração mais importante e famosa da Jordânia.

Tapa cruzou com velhos conhecidos...

E chegamos na mais impressionante escultura que o ser humano já fez em uma rocha, ou melhor, em um cânion.

Uma cidade inteira esculpida ao longo de cânions e montanhas. Diversos templos, anfiteatro, tudo, tudo, tudo esculpido.

Não são diversas rochas sobrepostas formando uma estrutura, como conhecemos.

Uma única rocha, uma única peça. Toda a cidade é uma única peça.

Um lugar tão extraordinário é um prato cheio para um filme de Hollywood.

E à noite, Petra consegue ser ainda mais fantástica. Um cânion estreito com mais de um quilômetro todo iluminado com centenas de velas...

... Te leva à atração principal que  provavelmente você já viu na TV ou em um filme do Indiana Jones.

Um lugar para deixar qualquer um de boca aberta.

Partimos para o deserto Wadi Rum. Famoso por ser o deserto mais bonito do mundo.

Murchamos o pneu para não atolarmos na areia...

... E entramos no deserto sem fim da península Árabe.

Fomos bem para o sul, nas proximidades da borda da Jordânia com a Arábia Saudita.

Encontramos um lugar lindo para acampar. Catamos algumas raízes secas...

... Para alimentarmos nossa fogueira.

O sol foi embora, caiu a noite e as montanhas ficaram escuras.

E o céu... Aquele céu inesquecível do deserto que vimos no Marrocos voltou a aparecer com as constantes estrelas cadentes.

Hoje nós sabemos bem o que deve ter sido a estrela de Nazaré.

E o show não terminou por aí.

Duas horas depois brotou a lua cheia no máximo da sua potência atrás de uma montanha.

E a noite virou dia.

Dava para ver tudo.

Todos os detalhes das montanhas, a areia alaranjada, as nuvens num céu quase azul.

Uma luz tão forte que nossa sombra ficava extremamente bem definida na areia.

Noooooooooooooooooooooosaaaaa!!!!

Passei boa parte da madrugada com a cara na janela gravando na memória aquela paisagem.

Se você quiser ter a melhor experiência da sua vida em um deserto, o Wadi Rum é, sem dúvida, o lugar.

Nego ficou do jeito que gosta. Sujo como um porco.

O Farofamóvel tem sido realmente nossa casa neste um ano e meio de viagem.

Dormir dentro dele, para nós, é sempre um prazer.

Mas no deserto, sem nenhum tipo de apoio, é ainda mais gostoso.

Temos autonomia de água para uns cinco dias, com direito a banho, pia para lavar louça, banheiro, microondas, geladeira, fogão e forno elétrico.

Mesmo pesadão, ele não atolou nenhuma vez, e dormimos no alto de uma duna com conforto.

Obrigado mais uma vez, Farofamóvel!

Passamos três dias e duas noites perambulando pelo deserto.

Gostamos demais desta experiência.

O Fedorento já está se achando um verdadeiro beduíno.

A última atração da Jordânia foi o cristalino Mar Vermelho.

Foi lá que o mar se abriu para Moisés quando ele fugia do Egito com seu povo.

O Mar Vermelho é o paraíso dos mergulhadores, e é claro que tiramos a poeira das nossas máscaras e canudos novamente.

Despretensiosamente cruzamos com um tanque de guerra no fundo do mar.

Que doideira...

Nos dias que mergulhamos por essas águas houveram quatro ataques de tubarões à mergulhadores, sendo que uma alemã sofreu um ataque fatal..

Um navio jogou várias carcaças de animais no Mar Vermelho e atraiu esses "adoráveis" bichinhos para as redondezas.

Na nossa santa ignorância, apreciávamos um tanque de guerra naufragado enquanto São Jorge padroeiro nos protegia mais uma vez!

Valeu São Jorge! Na volta acenderemos uma vela!

O legal do nosso acampamento por lá é que ele era em cima de um monte de frente para praia que mergulhávamos.

Tínhamos a vista de três outros países: O Egito na outra borda do Mar Vermelho, a Arábia Saudita onde está a faixa de luz, e do lado oposto Israel.

Voltamos para Amã para tirarmos os vistos para o Irã e para a Índia.

Quinze longos dias acampados no tedioso pátio de uma escola na companhia de outros overlanders e centenas de crianças.

Umas querendo abraçar o Tapa e outras querendo matá-lo.

Os alemães Klaus e Sonja, em seu formidável Unimog, foram os nossos simpáticos vizinhos em boa parte dessa longa espera pelos vistos.

A maioria dos way points dos lugares que dormimos no Oriente Médio, foram dicas realmente fantásticas fornecidas pelo senhor inglês Dave e sua esposa Shar lá no camping de Roma (diário de bordo 71). Um camarada extremamente agradável.

Seu cartãozinho de visitas, que ainda guardamos, não existe nenhuma apresentação de cargo, profissão ou empresa. Apenas uma frase em letras garrafais:

ONE LIFE! LIVE IT!

Comidas e bebidas maneiras

Comer na Jordânia é um ato social. Os jordanianos encaram suas refeições como as principais oportunidades para reunir a família e os amigos, e levam isso a serio. Por esse motivo, nao é dificil encontrar restaurantes e lanchonetes no país.

Os grelhados são muito apreciados na cozinha da Jordânia. Carnes, principalmente de carneiro...

... Aves...

... E peixes. E para acompanhá-los, legumes, também grelhados, arroz ou pão.

Praticamente todas as nossas refeições na Jordânia foram feitas em nossos acampamentos.

É a cozinha do Farofamovel mandando ver! A pia está sendo usada como nunca, pois como na maioria dos campings do Oriente Médio nao têm cozinhas, ou área para lavar louça, incluindo os acampamentos no deserto, hehehe... Ela está mostrando a que veio.

Nossos equipamentos elétricos estão trabalhando como nunca. Forninho, panela elétrica etc.

Muito bom poder contar com esse conforto no maior desertão, como foi o caso do Wadi Rum. Foi muito bacana estarmos rodeados de areia e montanhas e poder comer uma comidinha gostosa, na maior tranquilidade, sem precisar recorrer às comidas instantâneas, por exemplo. Passamos dias espetaculares por lá.



Como a Jordânia é um pais meio "americanizado" não tivemos grandes problemas para fazer nossas compras de supermercado. Alguns itens facilmente reconhecíveis...

... Alguns como sempre reconhecíveis...

... Mas outros, nem tanto. Esse aí é o nosso novo adoçante árabe!


O principal prato da cozinha jordaniana chama-se Mansaf, de origem beduína. Trata-se de carne de carneiro ou frango, e arroz árabe à base de creme de leite.

Normalmente, tudo é servido envolto por pão arabe. Delicioso. No nosso caso veio servido com carne de carneiro. Uma curiosidade sobre o Mansaf é que ele é servido em ocasiões muito especiais para os jordanianos, como uma graduação, noivado, casamento, enfim, comemorações. O Mansaf no menu de um almoço ou jantar também é sinônimo de generosidade. E a generosidade é medida conforme a quantidade de carneiro que é servido. No nosso caso, generosidade fartíssima!!!

Comemos também outro prato simbólico chamado Maglouba. Carne ou frango assado, nós comemos frango, arroz e vegetais. Simples e gostoso.


 

As saladas servidas por lá também são deliciosas... o hummus, sempre presente, molho de pimenta e pão.

Mas e a nossa cervejinha gelada? Ahhhh simmmm, na Jordânia também tem. Saboreamos duas cervas jordanianas em Petra, no bar de um hotel. Pode até parecer brincadeira, de muito de mau gosto por sinal, mas as singelas seis cervejinhas que tomamos neste dia custaram, nada mais, nada menos, do que R$ 90,00! Isso mesmo, R$ 90,00! Definitivamente, foram as cervejas mais caras de toda a viagem. Mas, abraçando o prejuízo, e curtindo o momento, vamos a elas:

- Philadelphia beer: Cerveja leve, apesar dos 5% de álcool. Levemente adocicada, nada demais nem nada de menos.



- Petra beer: Essa cerveja contém 8% de álcool. Eu, sinceramente, não gostei muito. Gustavo adorou. É daquele tipo de cerveja que você toma e sente o álcool descendo, o que eu não curto muito. Além do forte sabor do álcool, o aroma tambem é muito forte, o que acaba anulando os outros ingredientes. Mas, como estávamos em Petra, não poderíamos deixar de prová-la!



Tivemos também a sorte de provar o vinho Mount Nebo, delicioso vinho tinto da chamada "Holy Land", a Terra Santa. Santa surpresa, deliciosa bebida.



Em Aqaba, cidade no Mar Vermelho, passamos alguns dias agradabilissimos em frente à praia. Infelizmente, não tínhamos achado cerveja para levarmos para lá, mas para nossa felicidade, no hotel à frente do camping onde estávamos, na verdade, no estacionamento de um hotel, havia um barzinho com um visual incrível para a praia e que ainda por cima, vendia cerveja! Oba! O fim de tarde ali é muito especial, e com uma cervejinha para acompanhar, nada melhor. Visita imperdível na Jordânia!



Provavelmente, com nunca sabemos ao certo o nosso dia de amanhã, esse é o nosso último diário de bordo do ano de 2010. E mais um ano se passou... Que ano incrível tivemos! Quantos lugares lindos! Quantas pessoas bacanas conhecemos! Quantos países! Quantos idiomas! Quantas comidas! Quantas cervejas! Quantos vinhos! Quantos bagunças do Tapa! Quanta alegria! Momentos inesquecíveis e emocionantes.

Com muita alegria, desejamos a todos um Feliz Natal, com muito amor, e que o ano de 2011 seja ainda mais incrível que o ano de 2010 e, claro, com muita saúde!

 

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